Mensagem de Álvaro Cunhal ao XVI Congresso do PCP

 

 

De Álvaro Cunhal

 

Camaradas delegados,

 

Impossibilitado, por grave estado de saúde, de participar nos trabalhos XVI Congresso, saúdo-vos calorosamente, certo de que, do Congresso, resultará o reforço político, organizativo e ideológico do Partido e seu papel insubstituível na vida nacional.

 

Essa é uma tarefa urgente, além do mais porque tem estado em curso uma das mais violentas campanhas anticomunistas de todos os tempos. Jornais, revistas, rádios, televisões tornaram-se, como se tem visto, as tribunas daqueles, incluindo membros do Partido, que querem que deixemos de ser o que somos e queremos continuar a ser.

 

Agora é o projeto de uma fascizante Lei dos Partidos, apresentada pelo PS e PSD, visando uma intolerável intervenção na nossa vida interna.

 

A estas monstruosas provocações, o Congresso dará sem dúvida a resposta necessária.

 

O governo PS prossegue a política do PSD. É governo ao serviço dos grandes grupos económicos. Liquida direitos vitais dos trabalhadores. Está destruindo o aparelho produtivo. Obedece à NATO e às ordens de Bruxelas contra os interesses dos portugueses. É um coveiro da independência nacional.

 

Defendemos flexibilidade tática – alianças, acordos, respostas adequadas às situações concretas e conjunturais. Mas a flexibilidade não significa que seja possível uma política de esquerda e uma alternativa com o governo PS e sua política de direita. 

 

A nossa convicção comunista assenta em realidades objetivas, que alguns procuram negar e esquecer: a divisão da sociedade em classes, a luta de classes, a política de classe do governo. Não são só ideias. São realidades.

 

Entretanto, um incorreto conceito de cidadania pretende ocultar esta realidade.

 

Os Melos, os Espíritos Santo, os Belmiros são cidadãos. Mas cidadãos exploradores de outros cidadãos – da classe operária e de todos os trabalhadores.

 

Terão a reposta que merecem: a luta continua, camaradas.

 

Um dos aspetos mais graves da política do Governo é a sua participação servil na criminosa ofensiva «global» do imperialismo, sob comando dos Estados Unidos.

 

Com intervenções, bloqueios, agressões, terrorismo e guerras, o imperialismo procura impor-se em todo o mundo como sistema único e final.

 

Não é imparável esta ofensiva. Não só o sistema capitalista está roído por contradições, como encontra pela frente forças que, no seu desenvolvimento, são capazes de impedir que tal objetivo seja alcançado.

 

São os países em que os partidos no poder (China, Cuba e outros) insistem, por caminhos diversos, em edificar uma sociedade socialista.

 

São as lutas sociais e movimentos sindicais de classe, como é a CGTP-IN, justo orgulho dos trabalhadores portugueses.

 

São movimentos e partidos progressistas e lutas patrióticas de libertação.

 

São também, num ressurgimento imperativo do movimento comunista, partidos firmes, convictos e corajosos, que não sigam caminhos que conduziram em alguns países à sua destruição.

 

Para o nosso Partido é tarefa actual reforçar a sua identidade, que só quem queira destruí-lo pode renegar.

 

Com base na Proposta de Resolução apresentada pelo Comité Central, é necessário desmascarar os cantos de sereia para que deixemos de garantir com confiança a nossa identidade comunista e os seus elementos fundamentais.

 

•       O primeiro. O PCP é o Partido da classe operária e de todos os trabalhadores, defensor de todas as classes antimonopolistas, da juventude, das mulheres, sem esquecer que os intelectuais constituem um grande valor na vida do Partido e na sociedade.

•       O segundo. Somos um Partido que – aprendendo com a vida, com a experiencia, com as vitórias e derrotas – apresenta como seu objectivo a construção de uma sociedade socialista – o que não invalida resposta pronta aos problemas de cada dia.

•       O terceiro. Somos o Partido com uma vida democrática sem paralelo no quadro nacional.

•       O quarto. Somos um Partido patriótico, firme defensor da independência nacional – e simultaneamente um partido internacionalista, solidário para com os trabalhadores, os partidos e forças progressistas de outros países.

•       O quinto. Somos um Partido que se inspira numa teoria revolucionária – dialética, antidogmática, criativa - o marxismo-leninismo – que se confirma na ação prática e nas situações diversas.

 

Gerações atrás de gerações, lutámos 48 anos pela liberdade contra a ditadura, ao preço de longos anos de prisão, de torturas por vezes até à morte, de camaradas assassinados a tiro. Depois, na Revolução de Abril, para glória do nosso Partido, alcançamos com os trabalhadores, as massas populares e militares revolucionários grandes conquistas como a Reforma Agrária e as Nacionalizações. 

 

Lutamos desde então pela democracia, agora tão adulterada, contra o domínio de Portugal pelas transnacionais, contra a obediência a interesses estrangeiros.

 

Confio em que as novas gerações, ganhas pelos ideais do comunismo, manterão bem alto a nossa bandeira, a bandeira vermelha com a foice e o martelo.

 

O XVI Congresso confirmará certamente que o PCP é e continuará a ser um grande partido comunista digno deste nome.

 

Viva o XVI Congresso!

 

Viva a JCP!

 

Viva o Partido Comunista Português!

 

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