O que é nacional é bom?

 

A nomeação de António Guterres como Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas deu azo a variadíssimas demonstrações de nacionalismo parolo.

 

Particularmente lamentável é o facto de o nosso Partido ter acompanhado as ilusões sobre os benefícios da liderança de Guterres, desde logo na co-autoria e voto favorável no voto de congratulação aprovado na AR que aqui partilhamos e cuja leitura recomendamos por pérolas como "António Guterres, como Secretário-Geral da ONU, é uma garantia em prol de uma ordem internacional com menos conflitos..." ou ainda "...e foram os seus méritos que se revelaram capazes de mobilizar, no país, o empenhamento dos órgãos de soberania, o esforço da diplomacia, o apoio do conjunto das forças políticas e da sociedade portuguesa..."

 

Não deixa de ser curioso que não faltaram no passado avaliações às prestações de Guterres que deviam agora evitar esta congratulação.

"Guterres explicou que «há 20 ou 30 anos, os socialistas pensavam que existia um dualismo entre patrões e trabalhadores. Hoje não pensam mais assim». Em substituição da luta de classes marxista, Guterres colocaria a presente bipolarização «entre cidadãos e excluídos». Trata-se de um «socialismo» que entusiasma os patrões. É com os patrões, particularmente os de maior peso, que Guterres tem um relacionamento preferencial." [Militante Nov/Dez 1998]

 

"...difícil é distinguir o Governo de Guterres dos de Cavaco Silva e do PSD, uma vez que aquele se vem apresentando como um continuador de políticas e um defensor e praticante das teses neoliberais. ... No ensino superior o Governo limitou-se a retomar a política de governos anteriores de subfinanciamento do ensino público e de imposição de um aumento significativo das propinas." [Resolução CC Jan 1999]

 

"O Comunicado [do CC] começa por caracterizar o novo Governo [de Guterres] e os traços gerais da sua política que continua a ser marcada, antes de mais, pela defesa dos interesses dos grandes grupos económicos. São características da política de direita do novo Governo do PS o prosseguimento das privatizações e das modificações na legislação laboral contra os trabalhadores, a não realização da indispensável reforma fiscal, as negativas alterações que se pretendem fazer na segurança social, a aceitação e a prática das concepções neoliberais da União Europeia, enfeudada aos EUA e à NATO, e a recusa a encarar e resolver as principais questões da sociedade portuguesa. É também já evidente um ainda maior aproveitamento do aparelho de Estado ao serviço dos interesses eleitorais do PS. O Comité Central afirma que, ante tal panorama político, o PCP, como oposição de esquerda, tudo fará para combater a política de direita do PS." [Militante Jan/Fev 2000]

 

"A orientação seguida por Guterres é claramente de direita, nada tem com o socialismo." [Militante Jan/Fev 2000]

 

Sobre a presidência da UE "Deslumbrado e como que convencido que estaria predestinado para grandes voos, o Governo esqueceu-se do País e apostou naquilo que considerou iniciativas de grande fôlego." [Militante Jul/Ago 2000]

 

Sobre a despenalização do aborto "Pelo Não, ao lado da direita, esteve António Guterres, então secretário-geral do PS e Primeiro Ministro, que publicamente assumiu tal posição." [Militante Nov/Dez 2004]

 

"Estavam (pensámos!) assim consagradas, finalmente, as 40 horas e o fim do trabalho ao sábado. Entretanto, o Governo Guterres faz mais um «acordo de concertação» com os patrões e a UGT em que a introdução da flexibilidade e da polivalência são o conteúdo mais preocupante, aliada à programada, mas não conhecida, forma ignóbil de aplicação da redução dos horários de trabalho. ... A burla estava montada e bem esclarecida entre os «parceiros» do costume e da actualidade, e pelo então poder político chefiado por António Guterres." [Militante Mai/Jun 2012]

 

... entre outras.

 

Com a nomeação para Secretário-Geral da ONU, António Guterres teve o passado branqueado mas isso não o impediu de continuar a fazer das suas, como por exemplo foi denunciado recentemente pelo MPPM relativamente à sua postura de apoio a Israel. "O MPPM não pode deixar de condenar a actuação neste caso do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, premiando o país que mais vezes violou as resoluções da ONU, Israel..."

 

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